domingo, 28 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
Ayahuasca e Xamanismo - Cultura Imaterial
Estima-se que o uso ritualístico da Ayahuasca remote a pré-história, apesar das evidências arqueológicas encontradas, como: potes, vasos, cuias e desenhos que comprovam o uso de plantas de poder, datarem de 2000 A.C. No Xamanismo da região Amazônica é muito comum encontrar este chá ou vinho dentro da ritualística de várias etnias. A Ayahuasca é obtida da decocção de um cipó e de uma folha, ambos endêmicos da região. O cipó, conhecido científicamente como Banisteriopsis caapi, popularmente como Jagube, Cipó, Mariri, Yagé, etc. E um arbusto da família Rubiaceae, Psychotria viridis, conhecido como Chacrona, Rainha, Folha, Tempero, etc. A ação da bebida sagrada se dá através de um componente Inibidor de MAO (Monoaminooxidase) e um triptamínico a N,N-dimetiltriptamina (DMT).Esta bebida é tida como sagrada pelo apendizado e expansão da consciência que ela propicia a quem a ingere com um atributo indíspensável: o respeito; e atentando as regulações das quais são ensinadas ao longo de todos esses anos, por exemplo: dietas praticadas por pajés e curandeiros. Estes homens de conhecimento, a quem é designado a liderança e conduta espiritual-social de sua comunidade são exemplos de aprendizes de plantas, ambiente e imaterialidade. A ayahuasca é utilizada como uma espécie de planta, poção ou poder mágico da floresta que propicia a desconexão da alma de seu enredamento corpóreo, podendo assim, atingir outros níveis de frequências universais que estão fora do alcance da consciência comum. Podemos explicar melhor no mesmo sentido de como uma antena capta um sinal. Existem várias frequências sendo emitidas a todo momento, o que realmente muda é a sintonia deste aparelho. Assim, podemos perceber que a Ayahuasca é um mecanismo facilitador de sintonização de diferentes frequências que não são percebidas ou captadas pela consciência comum.
Os curandeiros amazônicos entram nestas frequências para poder experimentar sensaçãoes, visões-formas, cores e vibrações, onde este novo conjunto de fatores carregam sua memória e consciência para novos horizontes e encontros com o Sagrado. O chá amazônico reativa a percepção de unidade onde a sinestesia faz com que a experiência adquirida nesses planos seja verdadeiramente sentida no interior do individuo, transfomando assim, conhecimento em sabedoria. Dentro dos propósitos das viagens desses xamãs está a cura, tanto física, quanto psiquica e espiritual. O xamã entra nessas visões e experimenta a sensação de poder ver ou sentir a doença. Por exemplo, uma doença psiquica pode formar um conglomerado energético diferente ao redor do campo energético-magnético do indivíduo, ou seja, as vibrações emitidas por aquele indivíduo são sentidas em frequências diferentes das consideradas normais. O xamã vê essas diferenças energéticas quando está sob o efeito da bebida, e com sons, vibrações e cantos, Icarando (Entoando), ele incide sobre o lugar doente fazendo com que aquele campo possa expelir ou vibrar na frequência ideal para a cura daquela pessoa. Normalmente existem instrumentos utilizados nessa aliança Xamã - Som - Vibração, como: o maracá (chocalho), tambor, cantos, imitações e assovios. Dentre estes sons o curandeiro escolhe aquele que irá cantar. Este canto, mais conhecido como "Icaro" é um instrumento de poder da sabedoria ancestral, geralmente composto por um conjunto de sílabas e fonemas de alta frequência (agudos) e baixa frequência (graves). Essa variância faz com que ocorra um ajuste do setor "sujo" (pelo mesmo princípio
físico de construção e destruição de ondas) daquele campo doente. As vezes estes sons não tem significado linguístico ou aparece em idiomas desconhecidos, mas tem a mesma funcão de um "Mantra", onde o objetivo é expandir o campo vibracional, sensorial e existêncial, atraindo ou repelindo o que está disposto no Universo, tanto mental, quanto espacial e existencial. Dentre os outros objetivos ritualísticos temos o religioso, onde os pajés encontram a Unidade com o Grande Espírito, A Rainha da Floresta, Deus ou qualquer outro que signifique a Magnitute, Unidade, Universo e Amor. Esses homens entram na maior de todas as guerras, a do autoconhecimento e da autoexploração.Pajés, curandeiros, xamãs ou homens de conhecimento e sabedoria foram e ainda são essenciais para a manutenção e sobrevivência desses povos, onde toda a imaterialidade conhecida é refletida na materialidade do cotidiano. E a Ayahuasca sempre proporcionou este encontro homem-natureza-mistério. E a verdade é entrar nessa imensidão do desconhecido, aprender, sentir, viver e perceber que a cooperação, união e o amor é o ciclo motor de tudo.
quarta-feira, 17 de março de 2010
O Roçado
Os índios sempre foram ótimos agricultores. Em suas plantações, mais conhecidas como "roçado", costumam cultivar diversos tipos de plantas, necessárias à sua subsitência. Dessa forma diminuem a distância e a busca por plantas floresta adentro.
Na hora de fazer o roçado escolhem a terra segundo a qualidade do solo. Não se planta onde o solo é duro e a terra não é boa. Nesse tipo de solo se planta cana e banana, por exemplo. O local também precisa ser bom para a derrubada e queimada.
Depois da escolha do local vem a marcação e o tamanho do roçado. Para marcar costumam fazer uma trilha grande com 2 ou 3 metros de largura aproximadamente. Dura em média 2 dias e vai dando forma ao roçado. Depois é aberta a trilha do meio, onde as pessoas andam pra frente e pra trás, pra receber comida, água e caiçuma.
Na hora de fazer o roçado escolhem a terra segundo a qualidade do solo. Não se planta onde o solo é duro e a terra não é boa. Nesse tipo de solo se planta cana e banana, por exemplo. O local também precisa ser bom para a derrubada e queimada.
Depois da escolha do local vem a marcação e o tamanho do roçado. Para marcar costumam fazer uma trilha grande com 2 ou 3 metros de largura aproximadamente. Dura em média 2 dias e vai dando forma ao roçado. Depois é aberta a trilha do meio, onde as pessoas andam pra frente e pra trás, pra receber comida, água e caiçuma.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
O Simbolismo do Corpo na Cultura Indígena
A escolha do corpo e das representações a ele associadas não é aleatória. O corpo é mais que um instrumento de produção da vida diária indígena, é material simbólico pelo qual se produzem idéias, valores éticos e estéticos.O corpo é produzido, fabricado, constituído pela sociedade. É cortado, adornado, nomeado, perfurado, pintado, tornando-se mais do que corpo. Ganha, assim, uma imaterialidade, traduzida naquilo que se liga a ele, nas suas produções no mundo, naquilo que o anima, a alma.
Este é o caminho que o olhar sobre o corpo conduz: do nascimento à morte, da vida material à vida imaterial. O parto, a infância com suas brincadeiras e a nomeação constituem fases importantes na modelação corporal. A adolescência e os rituais de preparação do corpo para a sociedade definem mais uma etapa em sua produção. O corpo maduro é retratado pelo casamento, pintura corporal para fins rituais, uso de adornos plumários, máscaras, armas de caça e guerra. O corpo é matéria-prima, suporte das pinturas, das máscaras e dos adornos, podendo ele próprio ser transformado em troféu de guerra: cabeça reduzida, ícone da modelação corporal e transformação cultural que sofre o corpo.O corpo nasce, o corpo vive e o corpo morre... e nasce...
Se a doença e a morte encerram o ciclo vital da corporalidade, apontam, também, para direções que transcendem a materialidade corporal. As viagens do xamã para curar o corpo doente descortinam outros mundos, outros céus: dos espíritos, do depois da morte. Morrer é se transformar em onça imortal, é não morrer, é reviver através de outra forma de materialidade corporal.
Texto: Marco Antônio Gonçalves
Fonte: folder da exposição Corpo e Alma Indígena
Museu Do Índio
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Povos Do Acre - Índios do Brasil
Fonte: Biblioteca da Floresta
Acredita-se que provavelmente o território do Acre já era povoado há cerca de 20.000 e 12.000 anos atrás. Provavelmente foram os primeiros grupos humanos provenientes da Ásia, em sua longa jornada de migração até a América do Sul, onde perseguiam grandes manadas de animais gregários que durante a idade do gelo se espalharam pelas grande savanas do mundo. A Amazônia era uma dessas grandes porções de savanas, com apenas algumas manchas de florestas espalhadas ao longo dos rios que cortavam as terras baixas.
Era o tempo dos grandes animais, por exemplo, o mastodonte, a preguiça gigante, o toxodonte e diversos outros exemplares de megafauna que serviam de base alimentar desses grupos nômades de caçadores. Esses animais se extinguiram na útlima idade do gelo, e muitos de seus fósseis são ainda hoje encontrados nos barrancos dos rios do Acre. Apesar de nenhum vestígio humano, desse mesmo peíodo, ainda não ter sido encontrado, imagina-se que o homem já estive junto com os animais que caçava.
Com o aumento da temperatura e umidade, há cerca de 12.000 anos atrás, as grande florestas começaram a surgir, que proporcionou tanto o desaparecimento da megafauna em virtude da diminuição das regiões de pastagens dando lugar as florestas, quanto o aparecimento de fauna terrestre de menor porte e fauna aquática ao longo dos caudalosos rios que se formavam.
Todo esse novo conjunto de fatores deu início a formação e instalação de grupos pré-históricos da América, e por volta de cinco mil anos atrás começou o que os pesquisadores chamam de Cultura de Floresta Tropical, caracterizada por grupos que praticavam uma agricultura insipiente, complementada pela caça, pesca, e coleta de frutos e sementes da floresta. A partir dessa nova organização social, os grupos pré-históricos amazônicos passsaram também a fabricar cerâmica e a ocupar certos lugares por períodos mais prolongados. Com isso deixaram grandes sitios arqueológicos que testemunham seu florescimento por toda a Amazônia.
Porém, existem ainda grandes círculos de terra que são denominados "Geoglifos", formas geométricas - círculos, quadrados, hexágonos e diversas outras composições - que variam entre 150 e 350 metros de diâmetro. Aparecem principalmente em duas áreas: no divisor de águas entre os rios Acre e Xipamanu e no divisor de águas entre os rios Acre e Iquiri. Essa localização revela que os povos que construíram essas misteriosas figuras com terra local, tinham preferência pela ocupação da terra firme em vez de habitarem ao longo das margens dos principais rios da
região.
região.Uma coisa já é certa, já que a maioria desses sítios apresentam cerâmica arqueológica, o que indica que foram construídos, utilizados e talvez habitados por grupos indígenas pré-históricos.
Estes Geoglifos reforçam os indícios de que existiram contatos prolongados entre as Civilizações Andinas e os povos da Amazônia Ocidental desde muito do que se imagina. Mas só a realização de novas pesquisas arqueológicas será capaz de respoder as questões sobre nosso mais distante passado.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Preservação da Fronteira: Brasil-Perú-Bolívia
Os Povos indígenas do Acre/Brasil, que fazem fronteira com Perú e Bolívia sofrem com a intensa atividade ilegal nas regiões de divisa. Muitas dessas atividade trazem grande impacto para as comunidades indígenas e extrativistas da região.Lideranças das Terras Indígenas Terras Indígenas Mamoadate, Kaxinawá-Ashaninka do Rio Breu, Kaxinawá do Rio Jordão e Kaxinawá do Seringal Independência, Cabeceira do Rio Acre, Kaxinawá do Rio Humaitá e Kaxinawá do Igarapé do Caucho localizadas na fronteira do Acre com o Perú relatam vários problemas enfrentados e preocupam-se com a o rumo da Dinâmica Trasnfonteiriça.
Muitos desses problemas, como a aproximação de índios isolados nas TIs, relata Francisco Ninawá Huni Kui, morador da TI Kaxinawá do Rio Humaitá, acontece devido a presença de madeireiros ilegais vindos do Perú. Medidas como a Frente de Proteção Etnoambiental Rio Envira, da Coordenação Geral de Índios Isolados, da FUNAI, pretende continuar realizando as atividades de proteção dos isolados e de seus territórios, trabalhando junto com os povos que hoje compartilham as terras com os isolados, evitando novos conflitos.
Outro probelma, relatou Jaime Lhulhu Manchineri, tem sido o tráfico de drogas, da TI Mamoadate, localizada na fronteira do Município de Assis Brasil com o Perú, já que foi preso pelos Manchineri um grupo de peruanos transportando pasta de cocaína. “Na nossa terra há muitas ameaças de narcotráfi co. Por três vezes os peruanos chegaram lá pelo rio Iaco e foram entregues por nós à Polícia Federal, sem contar que madeireiros de Inãpari (cidade do Peru que faz fronteira com Assis Brasil) já entraram no Mamoadate”, conta Jaime.
Dentre os outros problemas, podemos destacar a pesca ilegal dentro das TIs e a extração ilegal de madeiras.
As novas políticas de integração devem avaliar adequadamente os impactos, sociais e ambientais, e consultar as comunidades que serão afetadas.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Os Índios e a Natureza
No Brasil, existem diversos tipos de ecossistemas, os quais fizeram com que todos os povos nativos se adaptassem à região e o meio em que viviam. A relação direta com a "natureza" local criava certos moldes de sobrevivência e interação.
Essa relação gerou processos culturais diferentes e característicos a cada comunidade indígena, de acordo com os aspectos e estratégias de adaptação a cada um desses ecossistemas, pois são contempladas cerca de 560 terras indígenas no território brasileiro.
Dentre os ecossistemas d
e nosso território podemos citar: A Região Amazônica, com as florestas de castanheiras, das matas de cipó, das várzeas, das matas de igapós, das savanas de terra firme, dos rios de água preta, das florestas de terra firme, etc. (Museu do índio)
A permanência e instalação das sociedades indígenas se dava de acordo com a quantidade, qualidade e distribuição dos recursos indispensáveis ao desenvolvimento de suas comunidades. Uma atividade que ainda é praticada, os roçados, consiste na produção de atividades agrícolas. Pequenas formações de roças e plantações são abertas na mata para que se possa plantar e cultivar diversas espécies de plantas, tornando possível a proximidade dos recursos necessários à sobrevivência.
O conhecimento, observação e preservação do local habitado faz com que cada vez mais os povos indígenas respeitem o desenvolvimento natural do ecossistema. Por exemplo, os índios que vivem nas bacias de água preta, por sua vez, sabem que as matas de igapó servem de refúgio para diversas espécies de peixes, que encontram alimento e condições adequadas para a desova. Assim, os índios evitam o plantio de seus roçados nas proximidades desses ecossistemas, evitando a destruição e não perturbando o desenvolvimento do ciclo vital dessas espécies, que de forma geral são fonte de proteína animal.
Os índios aprenderam a adaptar-se nos ecossistemas que vivem, aprendendo com o meio ambiente que o cerca, desenvolvendo tecnologias e sustentabilidade.
Essa relação gerou processos culturais diferentes e característicos a cada comunidade indígena, de acordo com os aspectos e estratégias de adaptação a cada um desses ecossistemas, pois são contempladas cerca de 560 terras indígenas no território brasileiro.
Dentre os ecossistemas d
e nosso território podemos citar: A Região Amazônica, com as florestas de castanheiras, das matas de cipó, das várzeas, das matas de igapós, das savanas de terra firme, dos rios de água preta, das florestas de terra firme, etc. (Museu do índio)A permanência e instalação das sociedades indígenas se dava de acordo com a quantidade, qualidade e distribuição dos recursos indispensáveis ao desenvolvimento de suas comunidades. Uma atividade que ainda é praticada, os roçados, consiste na produção de atividades agrícolas. Pequenas formações de roças e plantações são abertas na mata para que se possa plantar e cultivar diversas espécies de plantas, tornando possível a proximidade dos recursos necessários à sobrevivência.
O conhecimento, observação e preservação do local habitado faz com que cada vez mais os povos indígenas respeitem o desenvolvimento natural do ecossistema. Por exemplo, os índios que vivem nas bacias de água preta, por sua vez, sabem que as matas de igapó servem de refúgio para diversas espécies de peixes, que encontram alimento e condições adequadas para a desova. Assim, os índios evitam o plantio de seus roçados nas proximidades desses ecossistemas, evitando a destruição e não perturbando o desenvolvimento do ciclo vital dessas espécies, que de forma geral são fonte de proteína animal.
Os índios aprenderam a adaptar-se nos ecossistemas que vivem, aprendendo com o meio ambiente que o cerca, desenvolvendo tecnologias e sustentabilidade.
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